Thursday, July 27, 2006

Conto Oculto

Não sei e creio que nunca saberei o que realmente aconteceu. As mesmas seqüências dos fatos, o cheiro, o abraço, o olhar, as palavras e tudo o que me envolveu naqueles momentos passados que não me deixam mais em paz. Gostaria de poder fechar meus olhos e pelo menos por um minuto, tentar esquecer tudo isso.
Estou me sentindo um pecador. Um pecador de um pecado imperdoável, o qual eu cometi e não consigo mais segurar as suas conseqüências. Tudo está contra a mim, estou nadando contra a maré. E o motivo de tudo isso é apenas um: ele.
Sim, ele, que não é mais um rapaz .Que me deixa sem graça quando olha para mim e diz que me deseja, que me quer. Um homem cuja a idade já é avançada e a mente madura. Seu corpo já formado, sua vida feita e sozinho em busca de um grande amor.
A primeira vez em que o encontrei foi em uma noite fria. Ele estava sentado em uma mesa com seus amigos e falava gesticulando, demonstrando assim, um certo charme, o qual eu me rendi. Eu estava na mesa ao lado e não conseguia tirar os olhos de cima dele, meus amigos viviam chamando a minha atenção para a conversa, mas o que naquela noite estava realmente me interessando era o homem da mesa ao lado que ao perceber que eu estava o olhando, começou a me olhar e foi nesse momento que minhas pernas começaram a ficar bambas e eu totalmente sem graça.
Uma atmosfera foi criada entre aqueles olhares e eu não sabia o que fazer. No mesmo tempo que eu queria levantar da minha mesa e ir até ele, eu me sentia preso a cadeira e sem coragem para fazer aquilo. Os olhares começaram a ficar tensos e sempre que podíamos disfarçávamos para ninguém perceber o que estava acontecendo. Até que um instante, ele se levantou da mesa em que estava e fez um sinal com os dedos para que o seguisse. Eu fiquei sem reação na hora, mas fiz o que ele pediu e fui atrás dele. Ele entrou para dentro do bar e quando me avistou, sentou perto do balcão e colocou a mão sobre uma das cadeiras que estava vazia fazendo um convite para eu me sentar ali com ele.
Ao me sentar, ele começou a se apresentar e eu logo em seguida fiz o mesmo. E a conversa começou. Ele falava de uma forma muito erudita, isso me deixava louco, o timbre forte da sua voz, o modo que ele se expressava e olhava fundo dentro dos meus olhos. Cada vez que eu falava, eu ficava mais tímido e ele se aproximava mais de mim. Aos poucos estávamos cada vez mais próximos, ele colocou a mão sobre a minha perna e começou a me alisar e eu por dentro morrendo de prazer com o seu toque. Ele falava da sua vida, das suas idéias malucas, do seu trabalho e eu só ali, escutando cada som pronunciado por aquela boca que eu estava louco de vontade de beijar. A minha imaginação começou a se soltar naquele momento, acabei nem mais prestando atenção no que ele dizia, só pensava como seria bom tê-lo todo em corpo e alma.
Ele percebeu que eu estava avoado e me perguntou se eu estava bem, eu respondi que sim, mas que podia ficar melhor. Não sei de onde veio a coragem para dizer aquilo, mas eu já tinha e dito e em pouco tempo caiu a ficha do que eu disse e fiquei muito envergonhado, mas com muito desejo que ele tomasse uma iniciativa e me pegasse de jeito.
Dito e feito, nem deu tempo para ele pensar e já me abraçou e começou a beijar o meu pescoço. A sua língua era quente, sua respiração forte, e os pêlos da sua barba me arrepiava todo. Ele me puxou para o corpo dele, olhou para mim, e começou a me beijar. Foi um beijo comprido, carinhoso e prazeroso. Eu me desfiz nos braços daquele homem naquele momento. Depois do beijo, decidimos voltar para as nossas mesas, mas antes trocamos telefone e prometemos que ligaríamos um para o outro.
Quando cheguei lá fora, estava nítido em meu olhar o quanto estava feliz e satisfeito. Todos da mesa perceberam e as perguntas começaram a rolar sem fim e eu acabei me entregando. As críticas logo começaram: como poderia eu, um rapaz tão novo ficar com alguém de uma idade tão avançada? Eu de início não dei atenção para o que os meus amigos falavam, mas depois de um certo tempo, aquilo tudo que eles falavam faria sentido em mim.
Naquela noite, tudo mudaria na minha vida, eu não parava de pensar nele e de olhá-lo. Ele ficou pouco tempo na mesa após termos se conhecido, e quando ele foi embora me acenou dizendo que era para ligar. Eu também não fiquei muito tempo com meus amigos, eu estava angustiado e queria aquele homem do meu lado. Eu fui embora, com ele no meu pensamento. Cheguei em casa, fui para o meu quarto e fiquei olhando para o vazio, relembrando daquele beijo, da boca, do olhar, do cheiro, do abraço e de tudo que ele tinha de melhor que os outros rapazes que eu já tinha tido, não tinham... Aquele homem era diferente, era especial e muito intrigante.
Eu ficava analisando aquele pedaço de guardanapo com o seu telefone, e pensando se deveria ligar naquela mesma noite. Eu não liguei, mas passei a noite em claro, pensando nele e me excitando a cada momento que eu lembrava daquele corpo...
O tempo foi passando e a cada dia eu ficava mais desencorajado de procurar aquele homem que estava mexendo com a minha cabeça e até mesmo com os meus sentimentos. Eu não parava de pensar nele, do nosso encontro informal, da maneira que ele me tocou, eu não conseguia ficar sem ele nos meus pensamentos, até que um dia o meu telefone tocou.
Era ele, com aquele timbre de voz e aquela linguagem que eu delirava. Ele dizia estar sentindo saudades do meu jeito, do meu beijo, da minha cara de envergonhado, enfim, ele estava com vontade de me ver. E assim foi, combinamos um encontro, só que dessa vez, com tudo certo.
A gente se encontrou no mesmo local da primeira vez. E antes que eu fosse cumprimentá-lo, ele já veio e me deu um beijo, um beijo inesperado mas com muito desejo. A noite só estava começando ali. Ficamos jogando conversa fora, até que ele fez o convite para eu conhecer o apartamento dele, que ficava ali próximo e eu aceitei. Quando chegamos lá, eu fiquei maravilhado com o lugar, tinha uma decoração muito bonita e ele era muito organizado. Ele ligou o som, abriu uma garrafa de vinho, e começamos a dançar bem devagarinho e bem juntos, rosto a rosto. A dança começou a ficar mais emotiva, eu estava muito entregue ao momento, ele me passava uma segurança quando eu estava acolhido em seus braços e não parávamos de beijar. O clima começou a ficar muito quente, não sei se foi o vinho ou se foi muito prazer, só sei que eu virei e falei que estava pronto para me entregar de corpo, porque a minha essência, ele já tinha conquistado. E ali fomos, para o seu quarto, onde tivemos uma longa noite de prazer, de carinho, de respeito e de sinceridade.
O dia amanheceu, os raios do sol invadiram o quarto e eu acordei. Acordei assustado, pois de primeira impressão não estava identificando o ambiente, só fui me situar quando vi aquele homem deitado do meu lado. Estávamos nus. Eu entrei em desespero, pois nunca tinha passado uma noite fora de casa e me levantei daquela cama e comecei a me trocar. O homem percebeu que eu tinha acordado, acabou acordando também e me perguntou se estava tudo bem e eu desesperado expliquei para ele que não devia Ter virado a noite ali com ele, pois afinal, eu era um adolescente e não podia Ter acontecido aquilo comigo. O homem ficou triste por eu Ter partido tão breve, mas eu tive que ir. Quando cheguei em casa, as coisas estavam normais, só me perguntaram aonde eu tinha passado a noite e acabei falando que fui para a casa de um amigo. Eu não me arrependi de Ter feito o que fiz naquela noite, foi tudo maravilhoso, me lembro muito bem de cada detalhe do que se passou. Foi a melhor noite da minha vida...
Os dias foram passando e eu continuei a sair com aquele homem. Eu aprendia muita coisa com ele, amadureci muito no sexo e na vida. E cada vez mais, eu tinha certeza de que queria ele do meu lado sempre. A gente saía juntos, nossos amigos eram comuns, as pessoas olhavam para a gente como um casal perfeito, mas muitos olhavam com um olhar de maldade.
Muitos não aceitavam a nossa grande diferença de idade, achava aquilo uma coisa absurda e impossível. Eu não gostava disso, desse preconceito que fazem quando um cara mais novo ama um cara mais velho. O amor, para mim, não tem hora nem pessoa e muito menos idade, mas a única coisa que sei do amor, é que ele estava contido naquele homem, que era meu e sempre estava do meu lado quando eu precisava. A minha vida mudou muito com ele, eu comecei a encarar a vida de outro jeito, eu me sentia bem, amado e querido, completado por dentro, não via mal nenhum em amar alguém que me fazia tão bem, e sempre deixava os comentários de lado.E assim foi, construímos uma relação muito bonita que ainda não sei e nem quero saber o que realmente eu vi naquele homem, daquele bar, naquela noite....


Dedico este conto ao grande amigo André ''Pomba''.

1 comment:

Anonymous said...

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